Dica 3 para melhorar a memória: Método de loci (lugar)
A preocupação com a memória vem desde as civilizações antigas, quando os registros
da história eram muito mais frágeis do que os atuais. Reza a lenda que o poeta grego Simônides
de Ceos inventou, por volta do ano 500 antes de Cristo, uma técnica de memorização logo depois de
sobreviver a uma tragédia: ele escapou por pouco do desabamento da casa onde estava jantando.
E conseguiu ajudar a identificar as vítimas fatais do banquete porque se lembrava exatamente
onde cada uma delas estava sentada à mesa. Eu sou Paula Adamo Idoeta, da BBC News Brasil
aqui em São Paulo e trago hoje mais dicas de memorização.
Minha pesquisa se baseia em estudos acadêmicos na área de neurociência, que estão listadas na minha reportagem da
BBC News Brasil e também uma entrevista com o neurocientista americano Eric Chudler.
Eu apresento hoje então o método de loci, que significa “lugar” em italiano. Essa técnica também
é conhecida como Palácio da Memória. Ela mistura duas dicas que eu detalho em outros vídeos:
visualizar (no vídeo 1) e conectar as coisas que você quer memorizar, que eu explico no vídeo dois.
A técnica é bem antiga: alguns relatos históricos apontam que ela era usada por oradores da Grécia
e da Roma Antiga, como o imperador romano Cícero. Era usada por exemplo para lembrar do que queriam
dizer em seus discursos, em uma determinada ordem. Eles começavam visualizando o interior do local
onde iam fazer o seu discurso - um templo, por exemplo - e aí associavam, mentalmente,
um objeto para cada canto desse templo. Esses objetos podiam ser, por exemplo, uma espada,
para ajudar o orador a se lembrar que queria mencionar no seu discurso uma batalha importante.
Mas e aí, dá para usar isso nos dias de hoje? Veja que curioso: em um estudo de 2014,
pesquisadores fizeram estudantes de medicina usarem o método de loci para lembrar o que
eles tinham aprendido em uma aula sobre o hormônio insulina e a diabetes, uma doença
metabólica ligada aos níveis de açúcar no sangue. Os estudantes tinham de visualizar na cabeça o
campus da universidade (a cafeteria, a entrada do prédio e um laboratório) e
associar cada um desses cantos a um conceito aprendido na aula. Digamos, na cafeteria,
o aluno podia associar à forma como age a insulina em um paciente diabético. Na entrada do prédio,
podia lembrar o que são os níveis de glicose. E assim por diante. Daí, ao fazer um passeio
mental pelo campus da faculdade, os alunos iam consolidando e recordando os conceitos.
Nesse estudo, os alunos que usaram o método do Palácio da Memória tiraram, em média,
9.3 na prova que eles fizeram em seguida, contra nota média de 8,1 dos demais alunos.
Agora, uma dúvida válida: será que a técnica só ajudou os estudantes naquela prova,
ou será que as informações foram realmente retidas pelos futuros médicos? Segundo Eric Chudler,
que por sinal não tem relação com esse estudo, estratégias de memorização como
essa ajudam a transformar memórias que seriam de curto prazo em memórias de longo prazo, ou
seja, ajudam de fato na absorção do conhecimento. Você pode criar o seu Palácio da Memória em
qualquer lugar que seja familiar para você. Digamos que você esteja estudando a composição
do DNA na aula de biologia e queira lembrar, aquelas quatro letrinhas que representam as
chamadas bases nitrogenadas, nesta ordem: Adenina, Timina, Guanina e Citosina.
Você pode pensar na cozinha da sua casa e imaginar, por exemplo, o adoçante na mesa,
para lembrar-se da Adenina; ande mais um passo e na pia está uma lata de tinta,
para lembrar de Timina; ao lado, na geladeira, está uma garrafa de guaraná (em referência à
Guanina) amarrada com um cinto (a Citosina). Só de preparar esse roteiro, acho que eu nunca
mais vou me esquecer desses compostos do DNA! Espero que este vídeo tenha sido útil. Não
deixe de conferir os outros, de sugerir pautas para a gente, deixar perguntas,
a gente está sempre de olho. Tchau!