COMO USAR SEU TEMPO COM SABEDORIA
Hoje aqui comigo, meu amigo Arthur Morrison. Boa noite, Arthur.
Boa noite, Renato. Boa noite, pessoal de casa.
Estou acompanhando os comentários aqui de vocês.
A gente vai falar bastante sobre o Travessia,
essa nova iniciativa educacional do Brasil Paralelo.
Trouxemos também um convidado bem especial pra gente falar a respeito de tempo hoje,
um tempo que é tão escasso hoje em dia. Então, como administrar melhor o seu tempo?
Aproveita pra deixar o seu comentário aqui com a gente.
E, como o Renato falou, compartilha pra levar essa mensagem adiante.
É isso aí. E esse convidado é Gonçalo Fernandes,
sócio-diretor aqui da Brasil Paralelo.
Boa noite, Gonçalo. Tudo bem?
Boa noite a todos. É um prazer estar aqui com vocês.
E o Gonçalo é um cara que tem dicas muito boas pra falar sobre essa questão de gestão de tempo.
Vocês vão entender porquê. Já, já, é realmente um mestre nessa arte.
Vamos falar aqui com o Gonçalo Fernandes, nosso sócio-diretor da BP.
Gonçalo, a primeira coisa é a seguinte.
Qual a importância de se dedicar hoje em dia um tempo pra você se aprofundar em algum assunto
e sair dessa avalanche de notícias que a gente tem o dia inteiro?
É Twitter, é portal de notícias, é WhatsApp.
A gente acaba, às vezes, consumindo muito essa coisa do dia a dia
e não investe um tempo em algo mais aprofundado e mais profundo
daquilo que a gente está estudando no nosso dia a dia.
Por que é importante ter esse tempo pra se aprofundar?
Olha, eu acho que tem conhecimentos que não passam de moda.
Tem conteúdos que não variam de um ano pra outro.
Eles são, digamos assim, clássicos, são atemporais.
Então, eu diria que quanto mais relevante é o saber,
ou quanto mais relevante é um conteúdo em particular, menos propenso é a passar de moda.
Então, se você consome apenas aquilo que está nas notícias do dia,
quer dizer, nos blogs do momento, nos podcasts do momento,
você acaba ficando com um conhecimento muito superficial
sobre o mundo, sobre o homem, sobre as coisas que, de fato,
para as quais queremos encontrar respostas.
Então, eu diria que aquele conhecimento que tem mais valor,
ele não está pronto para ser consumido na notícia, no noticiário das oito.
Então, esse é o primeiro ponto.
Esse conhecimento é preciso encontrar, é preciso saber onde está.
O segundo ponto, respondendo a sua pergunta da importância de fazê-lo,
por que devemos nos debruçar e tentar adquirir esse conhecimento?
Olha, isso tem que ver com qual é a sua visão para você mesmo.
Que tipo de homem ou mulher você quer ser?
Quão importante é para você ser sábio, ter sabedoria?
Isso é importante ou não é importante?
Assumindo que você tem uma visão de si,
ou um projeto para você que inclui ter um conhecimento profundo sobre as coisas,
então você tem que dedicar tempo para estudá-las.
Você tem que pôr uma parte sua.
E aí é que está o desafio, porque o entretenimento é passivo.
Quando você vê um seriado, quando está na internet, nas redes sociais,
tudo aquilo te entretém e de alguma forma não te pede nada em troca.
Você só está recebendo.
Está te dando uma série de estímulos e tu estás recebendo,
e aquilo te dá prazer, de certa forma.
Já a educação, que essencialmente é um esforço autodidata,
é algo ativo, requer algo de ti.
Tu tens que ativamente procurar que esse conhecimento te transforme.
Para isso, tens que fazer o esforço de assimilá-lo.
Então começa logo aí essa diferença entre o que é ser passivo no entretenimento
e ativo na educação.
Isso exige uma escolha.
Exige a orientação da vontade para escolher algo que custa, mas que vale a pena.
Daí, ter falado antes, a primeira pergunta é
que tipo de homem é que tu queres ser, ou melhor ainda,
em que tipo de pessoa queres tornar-te?
Quando vem uma pergunta dessa, Arthur, a resposta é que a pessoa vai dar
que quer ser o melhor, um cara mais elevado,
que quer ter uma cultura maior, um conhecimento maior.
Mas na prática, a coisa é mais difícil.
Então, como encontrar tempo?
Porque hoje em dia as pessoas têm que trabalhar, cuidar dos filhos.
Agora, para quem não sabe, fale sobre o perfil do Gonçalo.
A gente quer inclusive falar.
Bom, o Gonçalo, pessoal, tem cinco filhos,
e ele encontra tempo também para poder estudar.
A respeito de tempo, eu sou, por exemplo,
um cara que sou bastante ativo nas minhas redes sociais.
E tem gente que está nos assistindo que também,
que vive no Instagram, no Facebook, no WhatsApp, trocando mensagens e tal.
E eu queria até convidar o pessoal de casa para a gente fazer um exercício aqui.
Eu vou abrir aqui o meu Instagram e eu vou ver quantas horas eu passo.
O próprio iPhone te dá um relatório semanal das horas e tal.
Mas eu quero convidar vocês que estão em casa também
para vocês poderem fazer esse experimento.
Você vai entrar no seu perfil do Instagram, por exemplo,
e lá na parte de configurações tem um botãozinho chamado Sua Atividade.
Clica lá, Sua Atividade, cliquei.
E depois você vai lá na parte de Tempo Gasto.
Então, como você usa o Instagram? Tempo Gasto.
Aqui, Renato, o meu tempo gasto no Instagram,
a minha média diária é de 4 horas e 10 minutos.
4 horas diárias que eu passo no Instagram.
Estou muito ativo.
Eu estou melhor.
Você está melhor do que eu?
33 minutos, Renato, está aproveitando muito melhor o tempo dele.
É que você não viu do Twitter.
Ah, bom, eu não tenho Twitter.
Cada um nas suas redes sociais, não é verdade, pessoal?
Eu estou com 4 horas aqui no Instagram.
E como é que a gente, então, faz?
O pessoal de casa pode postar nos comentários quanto tempo, quanto que deu.
Vai postando nos comentários aí que a gente está lendo aqui.
Eu estou acompanhando também.
Então, Gonçalo, será que é falta de tempo mesmo?
Acho que acabamos de responder essa pergunta.
Não é falta de tempo.
Olha, nós arrumamos tempo para qualquer coisa.
E não é só arrumar tempo.
Nós estamos dispostos a nos submetermos a incríveis sofrimentos,
como, por exemplo, ir na academia ou fazer uma dieta.
Nós estamos dispostos a sofrermos isso por algo que nós entendemos que vale a pena.
Por exemplo, no caso da academia, uma saúde melhor, um corpo mais definido.
Então, em última análise, nós arrumamos tempo
quando achamos que a causa justifica essa dedicação.
Então, novamente, se torna a questão, volta a ser,
o que é uma prioridade para você?
O que é que, de fato, é importante?
Se na sua visão, no seu projeto de pessoa que você quer ser,
isso inclui ser sábio, ter cultura,
conhecer, ir a fundo nas questões,
então, necessariamente, você vai arrumar tempo para começar a sua vida intelectual.
Então, não é uma questão de tempo, é uma questão de prioridade.
E, muitas vezes, o que determina essa prioridade
são alguns, vamos chamar assim, obstáculos ou crenças limitantes.
Que é um, bom, é que uma vida intelectual é um chamado, digamos assim,
é uma vocação para poucos.
Não é para mim.
Esse é o primeiro.
O segundo é, ah, mas é que eu vou ter que ter uma dedicação de tempo gigantesca.
Então, eu não vou achar esse tempo no meu dia a dia.
E o terceiro...
Afinal, são tantos clássicos também, né?
O cara acha que tem que ler todos os clássicos de uma vez.
Exatamente.
Mas o terceiro também, que está muito relacionado, é,
mas qual é a utilidade disso?
É preciso entender que nós estamos passando uma crise da cultura
Nós estamos passando uma crise de cultura e de educação
porque todo pensamento moderno nos leva para a seguinte conclusão.
Só vale a pena aprender algo para o qual você vê uma utilidade imediata
e, geralmente, para o qual você pode calcular um retorno sobre investimento de tempo.
Então, você aprende técnicas, você aprende,
você é formado em conteúdos que você pode monetizar.
E tudo que não está dentro daquilo que se considera monetizável,
ou diretamente relacionado com as chamadas hard skills,
ou seja, conhecimentos que você pode aplicar,
então é visto como inútil.
Quer dizer, quando muito é visto como uma curiosidade intelectual para alguns,
mas tão legítimo quanto, por exemplo, passar tempo vendo vídeos no TikTok.
Então, sei lá, ler um clássico grego, no fundo,
tem o mesmo valor utilitarista que ver um vídeo no TikTok.
Então, escolhe aquele que você gosta mais.
Nenhum dos dois vai me trazer retorno financeiro imediato.
Nenhum dos dois vai me trazer retorno, então eu vou fazer aquilo que mais me...
Que me entretenha, aquilo que eu tenho a maior predisposição.
E obviamente que tudo que é a baixa cultura,
tudo que é entretenimento, particularmente o entretenimento sensível ou sensitivo,
que excita os sentimentos e as sensações,
vai ser sempre preferido.
Porque dá um estímulo e você não tem que colocar nada,
e você recebe um boost de dopamina em troca.
Então, de fato, não é uma questão de tempo,
é uma questão de prioridade, e aí você acha o tempo.
Não quer isso dizer que não tem algumas formas de você se gerenciar melhor
para levar a sério um plano de vida intelectual.
Mas primeiro você tem que decidir.
Eu quero me formar e tem certas áreas que eu preciso conhecer.
De certa forma, a travessia é justamente isso, é uma base,
é uma espécie de iniciação à vida intelectual.
Essas são as bases da cultura, do conhecimento,
das áreas humanísticas que você deveria saber.
É uma jornada inicial para te colocar no mundo.
Exatamente.
É dar um gostinho daquilo que...
Do caminho que você vai começar a percorrer
quando você decidir ser uma pessoa sábia.
Mas o grande desafio está em ajudarmos as pessoas a entenderem
que não se trata de utilitarismo.
O valor da cultura, o valor de ter esse conhecimento é imenso.
É imenso.
E podemos falar um pouco mais sobre isso.
Essa é a minha pergunta.
Essa premissa de que ambos não servem para nada.
Eu não vejo uma utilidade de curto prazo para monetizar
ou para eu fazer algo no dia seguinte.
Isso vale para o conhecimento clássico e coisas mais profundas?
Deixa eu te fazer uma pergunta.
Como é que isso se transforma em valor para quem está consumindo?
Deixa eu te fazer uma pergunta provocadora, talvez.
Qual é a utilidade do teto da capela cistina?
Por que a beleza importa?
Que diferença faz?
Qual é a utilidade do crime e castigo de Dostoyevsky?
Da nona de Beethoven, por exemplo.
Sim, ou do concerto número 3 de Rachmaninoff,
ou dos estudos de Chopin.
Qual é a utilidade das esculturas de Miguel Ângelo?
No fundo, qual é a utilidade de tudo aquilo que é transcendente e belo?
E atemporal.
Por que as pessoas viajam quilômetros e atravessam oceanos
para contemplarem essas obras de arte, se não tem utilidade nenhuma?
Poderíamos dizer que aquilo que é transcendente,
aquilo que é sumamente belo e que atrai, não tem utilidade.
Mas o fato de não ter utilidade não significa que não seja importante.
Eu iria até um passo além.
Eu diria que, quanto menos útil, mais humano.
É que contemplar o teto da capela cistina,
ou se deixar inspirar pela nona sinfonia de Beethoven,
é algo que apenas um ser humano,
no verdadeiro sentido da palavra,
na verdadeira acessão dessa expressão, pode fazer.
Então, o que a cultura nos dá,
o que esse conhecimento nos dá,
é um entendimento de nós mesmos.
É um entendimento do homem na linha histórica,
no contexto filosófico, ou político, ou social,
no âmbito da cultura, da arte.
Isso é o que nos permite entendermos o que é ser humano.
E é o que nos diferencia, no fim das contas.
Eu te digo mais.
Eu diria que a grande vantagem competitiva do século XXI
não são as técnicas, não são os 7 Cs do marketing,
os 5 Ps da internet, os 5 Ls.
O que nos vai diferenciar é a capacidade de sermos humanos.
De nos deslumbrarmos com essa sabedoria dos clássicos.
Com esse conhecimento atemporal, que não passa de moda.
Um líder de negócio, e não só,
qualquer pessoa no mundo de hoje que tenha um pouquinho mais
de entendimento daquilo que nós chamamos das humanísticas,
ou das humanidades, aqui incluo filosofia, história, literatura.
A pessoa que tenha um conhecimento um pouquinho mais profundo disso
tem uma enorme vantagem competitiva.
Ou seja, é utilitarista também.
De tomada de decisão, que você diz?
Olha, eu diria de autoconhecimento,
de entendimento da sua própria natureza,
e a pessoa ficar menos refém de teorias,
de ideologias, intelectualoides, psicológico-opositivas.
A pessoa entende que nós vivemos num momento histórico
que, de forma alguma, é único.
Na realidade, vem se repetindo era atrás era.
A pessoa entende qual é a tendência natural das sociedades,
que tem início, meio, maturidade, decadência e fim.
Então, muitas das coisas que nós vemos, às vezes,
numa perspectiva da atualidade, do imediatismo da atualidade,
perde a perspectiva.
O saber, a cultura, dá ao homem a perspectiva do eterno,
daquilo que vem do passado e do que nos espera para o futuro.
Isso, com certeza, nos faz mais sábios,
e, portanto, mais no controle das nossas próprias vidas.
Agora, você comentou que essa busca pelo conhecimento
tem a ver muito mais com a vontade do que com o próprio tempo,
porque as pessoas destinam tempo para coisas que elas acham importantes.
E como você, Gonçalo, com cinco filhos, diretor,
como é que você arranja, então, tempo para poder buscar conhecimento,
como é a sua rotina, você tem alguma técnica que você consiga passar?
Você falou que não existem muitas dessas técnicas,
mas às vezes há alguma coisa prática que você consiga trazer
para o pessoal de casa, que você aplica no seu dia a dia?
Sim, eu não vou chamar de técnicas,
eu apenas posso compartilhar algumas atitudes que eu venho tomando
e que, no meu caso particular, me ajudam.
Mas eu não queria fazer uma recomendação.
Sigam o meu método, porque eu tenho horror a essas coisas dos métodos.
Cada pessoa acha a sua forma de se relacionar com o saber.
No meu caso, vamos começar pela literatura.
Eu tenho um hábito desde criança,
mas que veio se estabelecendo ao longo da vida,
é pela literatura clássica, pelos clássicos da ficção.
Bom, em primeiro lugar, eu tenho que arrumar tempo para ler.
E eu tenho algum tempo marcado para ler.
Então, no meu calendário...
Você marca na sua agenda.
Eu marco na minha agenda um tempo que eu geralmente leio.
Bom, isso significa que um dia complexo, com mais reuniões, um imprevisto,
eu vou parar tudo para ler? Claro que não.
Nós temos que ter flexibilidade e senso comum.
Às vezes não é possível e pronto.
Mas eu tenho esse hábito e eu tento deixá-lo no calendário
para que me lembre que eu devo fazê-lo.
Mas depois entram outros truques.
É uma coisa que, nas minhas conversas com pessoas
que estão tentando desenvolver hábitos de vida intelectual,
muitas vezes me falam o seguinte.
Olha, eu tenho dificuldade em terminar os livros.
Eu tenho dificuldade em deseverar.
Isso é muito frequente.
Eu tenho muita dificuldade.
Olha, eu já falei com milhares de pessoas,
centenas certamente, talvez milhares de pessoas sobre isso.
E geralmente eu identifico sempre o mesmo problema.
É que as pessoas, quando começam na vida intelectual,
e sobretudo na leitura,
elas têm um desejo, digamos assim, de perfeição, quase de pureza.
E quando começam lendo um livro, têm esta ideia falsa
que se não entendem cada palavra, cada expressão,
cada sintaxe da gramática,
se não absorvem a mensagem perfeita daquela página,
então não são dignos de virar de página.
E se o fizerem, estão fazendo batota.
Não estão lendo de verdade.
Estou enganando aqui. Estou fingindo que estou lendo.
Estão lendo um livro de uma forma desmazelada
e, portanto, não tem qualidade.
E se não tem qualidade, então eu vou deixar pra lá.
Eu vou deixar pra lá.
É melhor não fazer.
Porque ninguém gosta de fazer as coisas meia boca.
Então você se sente uma espécie de fraude
por não estar entendendo tudo e deixa de lado, se sente incapaz.
Isso é um erro típico.
De quem está começando.
De quem está começando.
E é preciso jogar fora, eu chamo isso,
os tiques obsessocompulsivos da leitura.
A pessoa tem essas compulsões de ler a frase e ler de novo,
e ler de novo, e ir no dicionário,
e aí vai, será que eu entendi?
E vai ler de novo e quer?
É muito importante não fazer isso.
Fica burocrático também, né?
Pior do que isso.
Transforma a leitura num esforço que esgota.
É uma experiência que retira energia e da qual você...
O investimento de energia não é proporcional
com o que você está recebendo.
O que eu sugiro é o seguinte.
Da mesma forma que quando nós vemos um filme
ou quando nós ouvimos uma música,
nós não fazemos o seguinte.
Para aí, para aí.
Para a música que eu quero escutar de novo essa palavra
que eu não entendi bem o significado.
Para aí o filme, vamos voltar atrás dez minutos
porque aquele diálogo não encaixou.
Não entendi aquela cena.
A gente continua vendo, e a gente pega a perspectiva geral
e se gostou, volta a ver o filme,
e de cada vez que vê um bom filme,
você encontra novas ressonâncias interiores
que complementam a tua experiência,
que aumentam a tua satisfação
porque o teu entendimento é mais profundo.
Bom, se nós nos comportamos dessa forma
em relação aos clássicos do cinema ou da música,
por que cargas d'água com a literatura
deveria ser diferente?
E quando eu digo literatura,
eu me refiro tanto à literatura ficcional
como à literatura histórica ou à literatura filosófica.
Eu recomendo que continue lendo.
Continue lendo.
Não entendi, não passou.
Avança, avante, avante,
porque muitas vezes o próprio autor
espera que esse vazio de entendimento
seja culminado, seja preenchido mais lá na frente.
Não retire ao escritor, ao autor,
o prazer de deixar você na incógnita
durante alguns capítulos.
Não faça isso.
Tenha uma humildade,
tente ter uma atitude humilde e dizer,
olha, eu estou fazendo a minha parte.
Continue avançando.
E eu confio que em algum momento
o escritor vai conseguir passar
quase que como por osmose
as pinceladas principais dessa obra de arte
e isso vai dar algo que vai me transformar.
Isto é, depois de eu passar por esse processo,
eu já não sou o mesmo.
Isso é educação.
Mas requer um passo de fé no início.
Que eu recomendo a todos que tomem.
A minha me ajudou muito.
Agora, isso que você está falando,
bom, eu vou traçar um paralelo meio grosseiro aqui,
Renato Dias, entendeu?
Mas é porque tem tudo...
tem a ver um pouco com um processo,
essa experiência de você assistir filmes
e tal que você comentou.
É impressionante como eu nunca parei para pensar
que na música e no filme você não para
para voltar àquela cena.
Você vai passar ao longo da trajetória.
E eu me lembro, por exemplo, sei lá,
quando estreou Star Wars.
Pô, estreia no episódio 4.
Não tem sentido disso.
Não vou esperar lançar o primeiro episódio.
E aí, pô, estreou no episódio 4,
tu não sabe quem é o Darth Vader,
quem é o Luke Skywalker, quem é a Princesa Leia.
Tu vai assistindo, meu filho,
e aquilo toma uma proporção,
depois que eles fizeram um, dois e três
para explicar a história.
Nem no início já era o episódio 4.
Aí vem o episódio 5, 6 e tipo,
ah, mas quem é esse cara? De onde ele veio?
Não interessa, assiste aí, entendeu?
Você vai pegando depois.
Agora, trazendo um pouco para essa parte educacional,
na Brasil Paralelo a gente tinha muito depoimento
de pessoas que tinham uma certa dificuldade
com o núcleo de formação.
Justamente porque tinha muito conteúdo.
Às vezes a pessoa ficava um pouco perdida
por onde começar, qual a ordem de fazer...
Os 90 cursos...
As trilhas de aprendizado.
E a vantagem da travessia,
ela faz sentido para a pessoa ir escalando
na dificuldade e no entendimento dela.
Então isso também faz uma diferença muito grande.
Não sei se você tem alguma sugestão, até, Gonçalo,
em relação aos clássicos.
Começar por algum tipo de assunto,
algum tipo de autor,
como é que você organiza isso?
Bom, primeiro lugar,
no caso do núcleo de formação e da travessia,
eu acho que nós conseguimos criar algo
que junta, eu acho, os dois mundos.
Por um lado, o conteúdo
e a tradição.
Por outro lado, o conteúdo
e a sabedoria atemporal, os clássicos.
O que vai exigir
do aluno um certo esforço,
uma atitude ativa,
mas também nós
envelopamos isso numa produção
feita com qualidade, com beleza,
que facilita
esse aprendizado.
Então convenhamos
que é mais fácil assistir um curso
bem gravado, bem produzido,
do que ler a bibliografia
dos cursos, que também
vai juntamente com o curso,
toda essa bibliografia.
Então...
É muito mais amigável, o formato de vídeo
bem editado.
De certa forma, a vocação da Brasil Paralelo é isso,
é tornar esse conhecimento clássico
mais acessível, para transformar
o coração de todos os brasileiros.
Mas,
bom, nós não temos cursos
para tudo, e acho
que nem é o propósito, e acho que as pessoas
devem ir à fonte
e devem ler os clássicos.
E talvez outro truque
que eu possa recomendar é o seguinte,
comece pelos clássicos
curtos.
A maior parte das pessoas não sabe
que é muito
acessível,
num espaço de tempo
curto,
conseguir um repertório
relativamente respeitável.
O que eu quero dizer com isso?
As obras de Shakespeare,
uma das
obras mais longas de Shakespeare,
o Hamlet, você consegue ler talvez numa tarde.
Pouquíssimas horas.
Pouquíssimas horas.
O Velho Mar de Hemingway,
o Coração nas Trevas de Conrad,
sei lá...
Às vezes o cara se assusta com o nome, né?
A Morte de Violete do Tolstói,
são grandes autores,
grandes clássicos, que sim, têm obras
enormes, como a Guerra e Paz,
Ana Karenina, no caso do Tolstói,
ou no Dostoyevsky, Os Irmãos Caramazzo,
O Crime e Castigo, mas também tem
O Sonho de um Homem Ridículo,
Memórias do Subsolo,
O Jogador,
que são obras mais curtas.
Então eu sempre recomendo,
comece com um repertório
amplo de clássicos
curtos, porque
você verá que
eles são mais acessíveis do que
o que você pensa.
E lembre-se que, provavelmente, o autor,
o artista, quando ele está
criando,
quando ele está fazendo uma criação literária
ou filosófica ou histórica,
eu...
Eu não sou artista, não posso falar pelos artistas,
mas eu quase que
aposto que,
no coração deles, eles não desejam
que essas obras sejam apenas
degustadas numa
torre de marfim por
pseudo-intelectuais com colheres e um charuto.
Acho que eles fizeram
essas obras para que
fossem acessíveis ao maior número
de pessoas possível.
E na realidade, essas obras
tornaram-se clássicos, isto é,
resistiram à passagem do
tempo, porque são muito
verdadeiras e tocam fundo
nas pessoas quando as pessoas se
permitem conhecê-las.
Portanto, começando com
os clássicos curtos, rapidamente
você experimenta
esse prazer transformador que é
a verdadeira educação
que nós obtemos
através da leitura dos clássicos, seja
da ficção,
da filosofia, da ciência política,
da arte, da música,
o que for.
Mas comece por aquilo que é
mais acessível e não pare.
Então, acho que é muito
importante resistir a esse preciosismo
e essa
obsessão compulsiva de
vou começar então aqui
esse processo,
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8,
uma espécie de processo crescente
e eu não vou parar. Não faça isso.
A cultura não é
um processo sequencial.
Não está escrita em lugar nenhum que se você
não fizer o passo 4,
não pode avançar para o passo 5. Não existe
isso. Comece
no passo 59, se quiser.
Mas
avance, permita-se
se deslumbrar
com
a verdadeira
sabedoria, com esse conhecimento
clássico atemporal.
Essa questão dos clássicos,
eu queria até jogar um comentário na tela
do Júnior aqui,
que ele falou que ele quer começar a entrar
no mundo da leitura. Você citou alguns clássicos?
Eu queria que você pudesse citar um pouco mais
de alguns livros, talvez,
para começar, que você citou. Você falou
da...
Desculpa, fugiu agora. Eu estava pensando
do Shakespeare, do Hamlet,
alguns dos teué, tem o próprio
Metamorfose, né? Por exemplo, do Kafka.
O Kafka é um pouquinho mais pessimista,
então, dependendo do estado
de alma da pessoa,
uma pessoa depressiva talvez não fosse um bom momento para ler Kafka.
Mas
tem livros ótimos e curtos,
tem...
Temos... Do Hemingway, você citou
também? Qual que foi? Temos obras do Hemingway,
o Velho Mar, por exemplo.
Temos clássicos
do século passado, como
O Apanhador no Campo de Senteio,
do Salinger. Temos
obras de Shakespeare, que eu recomendo
muito, o próprio Hamlet.
Alguns contos, até de Machado também,
são curtíssimos. Sim, as obras de Machado não são
muito curtas, mas são muito divertidas.
E as obras de Machado têm uma vantagem,
é que os capítulos são tão pequenos.
As obras têm cento e muitos
capítulos, mas cada capítulo tem três páginas.
Então, te dá uma certa
sensação de avanço. Um estímulo de
passeio de fase.
E isso é legal para o pessoal de casa também, porque
tem aquela
coisa que fica, acho que, enraizada
na cultura
não sei se só brasileira,
de você achar que
iniciar uma jornada de estudos,
uma vida intelectual é algo
extremamente burocrático e
custoso, isso não é para mim. Aí você já vê
um calhamaço lá de 300 páginas,
você acha que, ah, eu não vou conseguir,
não dou conta. Não começa
com um calhamaço de 300 páginas,
não começa por aí.
Tem
livros menores,
mais acessíveis para começar.
Mas uma vez que comece,
novamente,
começa com a decisão.
Nós não estamos aqui falando de técnicas, não tem aqui
nenhum truque. Vamos fazer o truque
mágico, se você fizer o curso,
então vai mudar a sua configuração cerebral.
Não tem nada
disso, porque não é esse o objetivo.
O
objetivo é muito mais profundo,
tem que ver com qual é o projeto
que você tem para
a sua cultura pessoal,
para a sua sabedoria.
Que tipo de pessoa
você quer ser, que tipo de entendimento
você quer ter, da sua própria
natureza e de um mundo à sua volta.
Isso é uma decisão.
Você não passar por essa vida sem ler um.
Essa questão do entendimento
do que acontece à sua volta, a gente volta
para o início da conversa, que hoje em dia
a gente passa muito tempo consumindo
notícia, todo dia tem alguma
decisão judicial, alguma questão,
alguma votação lá no Congresso,
e você fica ali, você sabe
tudo sobre o Congresso,
só que se você tem uma base cultural,
uma base de conhecimento,
uma bagagem maior, o seu entendimento
sobre isso também vai ser diferente.
É muito mais profundo, por exemplo, você entende
que a inclinação do homem,
essa tentação do homem
ao domínio...
Ao poder. Ao poder e ao domínio.
Não é algo do século XXI ou da
pós-revolução industrial, é algo que
é inerente à nossa natureza.
Uau, então nós temos
uma natureza inerente? Será que é a primeira
vez que está acontecendo isso? Não é a primeira vez.
Não é a primeira vez, tenho certeza disso.
E se nós dermos os clássicos, vamos lá,
a primeira obra da literatura
ocidental, ficcional, digamos assim,
que chegou até os dias de hoje, A Ilíada
e a Odisseia, de Homero,
nos fala justamente
disso.
Nos dá uma... é a primeira obra
que propõe o que é ser humano.
E basicamente é um
rei da sua ilha
que, saindo pra
procurar vitórias,
acaba
se perdendo,
cometendo um monte de atrocidades,
e tem que passar por uma série de sofrimentos
e padecer
pacientemente para poder
regressar à sua
ilha, onde ele pode ser quem ele de fato
é. É muito profundo
isso. É uma jornada. É uma proposta
que os gregos fazem sobre o que é
o homem e em que consiste a vida.
O que
nós estamos fazendo aqui. Então, essa visão
é uma visão que tem já, bom,
milhares de anos. Não é uma coisa da...
E a gente até falou em outra live aqui, Gonçalo,
hoje em dia existe um pensamento muito
de evitar sofrimento, né?
Então eu tenho que ter só prazeres, uma vida
até meio hedonista, e tudo
que você faz é pra buscar alguma recompensa
de curto prazo e evitar
situações desconfortáveis.
E é um entendimento
que faz falta, né? Saber que a vida é
sofrimento e você vai ter que saber lidar
com isso. Esse é o grande desafio.
Exatamente. E não ficar, quer dizer, não cairmos na
tentação de achar que se nós tivermos
a sabedoria,
imediatamente vamos ser mais virtuosos.
Não existe nenhuma correlação entre ter o
conhecimento e colocá-lo em prática.
Mas, sem dúvida nenhuma,
nos dá
uma visão
mais profunda e um entendimento
maior das coisas.
Eu queria fazer um comentário sobre
uma das razões pelas quais eu acho
que... Isso que
eu estou falando aqui é tudo uma...
É uma obviedade.
Isso é bem...
É uma obviedade. Talvez
para muitas pessoas que escutam
soe até um pouquinho
estranho ou radical.
Mas... Porque eu acho
que
hoje em dia, né? Já nas últimas
décadas, eu creio
profundamente que nós não
estamos sendo educados.
Nós não somos educados
Educados no sentido
literal da palavra. No sentido da palavra.
Nós somos formados.
E... Porque somos formados
todas essas...
Qual é a diferença? Bom, é preciso ver a
etimologia da palavra
educar. Vem de uma
concatenação de duas
palavras do latim.
O prefixo ex,
de exterior,
de pra fora. E
ducto ou ductere, que significa
conduzir. Então ex
ductere ou ex ducto significa
conduzir pra fora.
Daí vem o educare.
Conduzir pra fora o que?
Aquilo que
já está dentro. O potencial.
Ou seja, a educação
é uma experiência que
transforma, que
atualiza
aquilo que está dentro de você em potencial.
Isso contrasta
com a
formação, que vem de formare.
Aplicar pressão
de fora para dentro.
Moldar. Criar uma forma.
Eu diria que o sistema
educativo,
desde o ensino básico
até a universidade, ele quer
formar bons operários.
Ele quer dar
ferramentas
para essas peças de uma engrenagem
para cumprirem um propósito.
Mas a educação,
que é essa
transformação
por atualizar o que nós temos
em potência dentro de nós,
não acontece.
E não acontece porque para isso é preciso
saber despertar.
E é preciso
incentivar a pessoa
a tomar essa decisão.
A pessoa querer se transformar.
Querer ser sábia.
Querer ser culta.
Essa curiosidade
e esse desejo tem que...
É preciso que um pedagogo, um verdadeiro pedagogo
saiba despertar isso
no coração das pessoas.
Você lê alguma coisa que
cai talvez uma venda dos teus olhos?
Aquilo já estava dentro de você,
mas você só enxergou.
Você lê A Morte de Van Liet,
de Tolstoy,
e você lê
a vida de um homem
que viveu
uma vida boa, quer dizer,
uma vida profissionalmente
muito distinta,
financeiramente abastado,
casou com uma mulher
bonita, teve um casalinho.
E no entanto,
chega no final da vida
e ele
está se perguntando
se talvez ele
não tenha vivido como deveria ter vivido.
Ele,
num processo
interior de
deliberação, de pensamento,
ele nos leva para uma viagem
onde nós chegamos a entender
que uma vida boa, aos olhos
do mundo, não necessariamente
é uma vida que vale
a pena viver.
Você pode tentar explicar isso
com muitos conceitos, mas
a verdadeira
educação
desperta essa inquietação
dentro de você, e
a partir desse momento,
você muda. Isso te
transformou. É o tal
do ex-ducto,
de trazer para fora.
Essa é a função da educação.
Muita da formação
que nós recebemos hoje,
as engenharias,
até mesmo, de certa forma,
a medicina cirúrgica, etc.,
a gestão,
tudo isso era considerado
na idade média
como as artes mecânicas
ou as artes serviço.
Eram as artes que estavam
destinadas aos servos.
Porque os nobres,
aristocratas, eles tinham
as artes liberais.
A dialética, a retórica,
eles
aprendiam a pensar,
a filosofar,
entendiam a história
e o que é a natureza humana.
Isso é o que os reis eram educados
para pensar.
As artes serviço, mecânicas,
eram para os escravos
ou para os plebeus que tinham
que organizar as fazendas
e montar os sistemas logísticos.
E veja como se inverteu.
Hoje em dia é considerado
um grande valor tudo o que é
utilitarista e técnico,
mas as artes liberais,
os descendentes das artes liberais,
as humanidades,
são vistas como totalmente inúteis.
E você não vê mais
pinturas como
o Teto da Capela Sistina,
grandes obras arquitetônicas,
grandes músicas.
Isso também acabou.
Acho que é um sintoma de tudo o que você tem falado
dessa crise de cultura,
dessa crise de educação.
Com certeza. É a perda da capacidade
do homem de se deslombrar com aquilo que é belo.
E não é a falta
de capacidade para
produzir algo assim.
Nunca tivemos tanta técnica.
Nunca tivemos tanta capacidade
de aprender em uma velocidade rápida.
No entanto, a produção cultural
é um lixo.
Basta
ir a qualquer museu de arte
contemporânea
para você ver
uma escultura que é, sei lá,
alguém defecando ou uma coisa do estilo.
Resumindo, Gonçalo,
em poucas palavras,
porque é importante
você saber coisas que
aparentemente, numa primeira análise,
nos dias de hoje, principalmente,
não te parecem úteis
no seu dia a dia, na sua vida.
Poxa, eu trabalho, sou um cara
super técnico, trabalho numa fábrica,
sou gerente de alguma
coisa bem específica. Para que eu vou
querer saber essas coisas?
Filosofias, né? Para que isso?
Para saber quem é,
de onde vem e para onde vai.
Para entender
o que é ser humano
e qual é o seu lugar
na história da humanidade.
E para ver as coisas com perspectiva.
Quanto maior
for a sua capacidade de ter
perspectiva, mais
livre você é.
Ah, isso é interessante.
As suas opiniões
vão ter sempre
como base
um espírito crítico,
um sentido crítico
que está ancorado em milênios
de conhecimento
e sabedoria. E isso te faz
sábio e, portanto, livre.
É, porque hoje existe uma ideia
de que a liberdade é você usar
o tempo como você quer
para os seus prazeres, né? Para você poder
não ter as obrigações
de fazer as coisas. Mas, na verdade,
é o contrário, né? A liberdade está justamente
em você escolher aquilo
que, no longo prazo, vai te dar
um retorno maior. Tudo o que é bom
é bom porque, de alguma forma,
tem mérito
quando você o conquista. E,
para isso, é preciso de esforço.
Não dá para desassociar essas coisas, né?
Então, esse
projeto, a travessia, vai
exigir um esforço.
Nós trouxemos alguns dos melhores
pensadores e professores do Brasil,
trouxemos um conteúdo muito
bem
pensado. São várias áreas
do conhecimento. Sim, e tentamos
fazer de uma forma que suaviza
esse processo, que
torna a viagem mais prazerosa
como um passo introdutório
à sua vida
intelectual. Mas você
tem que querer ter uma vida
intelectual. Você tem que querer
ser culto. Você tem que querer
entender
o mundo à sua volta e
em que momento
histórico,
sociológico, filosófico,
cultural
você se situa. E isso vai lhe dar
essa visão, essa perspectiva
que lhe permita olhar para as coisas com
talvez com um certo distanciamento
e uma capacidade de
não ficar à mercê
de retórica populista,
não ficar à mercê de lavagem cerebral,
não ficar à
mercê da superficialidade,
da estupidificação em massa
que ocorre nas redes sociais.
Isso...
Nem todos estão
chamados a isso. Mas
eu sei que nesse momento, quem está
escutando isto
e que essas palavras
criam desconforto,
provavelmente é porque essa pessoa
está chamada
a essa vocação
de procurar uma vida intelectual.
E se esse for o seu caso,
comece a
buscar essa vida intelectual. Não significa
que nós não somos os exclusivos
do conhecimento.
Tem muitas formas. Mas
considere
olhar para aquilo que
nós montamos como
um primeiro passo nessa jornada.
É só um primeiro passo.
E não precisa de muito, não é, Gonçalo?
Não precisa de muito. A pessoa pode chegar
a ler as obras clássicas,
curtas, que você comentou,
pode assinar o Travessia, por exemplo,
já selecionadas,
um curto período de tempo, 50 minutos
por aula, duas aulas por semana,
a gente consegue tempo para poder fazer
essas coisas. Há uma coisa que eu acho importante,
mais um truque,
mais uma dica, mas eu não gosto dessa...
Não é técnica. Para finalizar,
o nosso tempo aqui está no limite. Vamos lá.
Ok. Para finalizar.
Arrume um grupo de amigos
que tenham a mesma inquietação
intelectual.
Um grupo de apoio que tenha
uma inquietação intelectual. Alguém com que você
possa falar desses temas
e que tenha essa curiosidade
intelectual e que se deslumbre com você.
E que os dois estejam,
ou os três ou os quatro, procurando
se aprimorar,
se elevar acima dessa
camada de superficialidade
que basicamente
nos priva de entendermos a nós mesmos
e ao mundo à nossa volta.
Então, muito importante
criar essa comunidade
da apoio. Isso é muito bom, que um acaba puxando o outro.
Você cria um compromisso ali.
Isso na minha vida foi fundamental.
Nos meus amigos,
nos meus familiares,
sempre procurei ter
pessoas que tivessem esse tipo de inquietação.
Isso faz toda a diferença. Excelente.
Diz-me com quem andas, dir-te-ei
quem és.
Diz-me que livros lês, dir-te-ei
em que homem puderas tornar-te.
E como é que a gente encontra você nas redes sociais, professor?
Ah, Gonçalo
Fernandes Oficial.
Goncalo, sem a cedilha.
Goncalo Fernandes Oficial.
É isso, porque já havia outro.
Não confunda.
Bom, gente, essas dicas, esse tipo de conhecimento,
ele é útil pra qualquer época
da humanidade, mas
ainda mais, acho que nos dias atuais,
a gente vê que é necessário
ter uma base sólida, ter uma bagagem
de conhecimento que vai te ajudar
a entender o que acontece, a lidar
com as frustrações do dia-a-dia,
a gente vai ter uma ajuda no noticiário que a gente já comentou
e vai melhorar a tua vida
em diversos aspectos.
Muito bom, obrigado Gonçalo, obrigado Arthur.
Obrigado a você que esteve com a gente
até agora.
Então, últimos dias, não perca tempo,
faça a sua inscrição.
Até a próxima e até breve.